Queridos amigos,
Gosto de trocar idéias sobre diversos assuntos, inclusive
política. Assunto esse que muitos têm repudia ou quando em roda é abordado,
nossa que discussão gerada! Não sou partidarista e para falar a verdade detesto
política partidária. Mas, gosto de ver e falar sobre uma política livre. Livre
de interesses - na maioria das vezes corruptos – de seus líderes, gosto da política
para o povo, do povo. Aquela que nos parece utopia dentro do sistema em que
vivemos. Uma política social que atinge o cidadão em si, mas que também não se
esquece dos empresários, empreendedores e até mesmos dos bancários que de certa
forma investem no país. Resumidamente gosto de política e não de politicagem. Muitos acham que o verdadeiro evangélico não
deve se misturar a isso. Outros apoiam a bancada evangélica que está no sistema, e na minha opinião mais envergonham do que colaboram. Penso que política é para
todos, é de todos, só tem que ser feita com menos interesse pessoal e sim para
uma nação inteira, seja feita por evangélicos, católicos, umbandistas, judeus ou
ateus, a questão é atingir a todos e não somente a minoria elitizada.
Gosto de compartilhar textos os quais merecem
destaques. E o texto que hoje posto é da
colunista da revista época, Ruth de Aquino. Ótima publicação para refletir
sobre a nossa política atual. Espero que gostem e que sirva de reflexão para
que nas eleições do ano que vem possamos depositar nossos votos de forma consciente.
Gratia et pax,
Rebeca Caroline
Morena Marina, você se pintou
por Ruth de Aquino
Marina, você faça tudo,
mas faça o favor. Não mude o discurso da ética, que é só seu. Marina, você já é
respeitada com o que Deus lhe deu. O povo se aborreceu, se zangou, e cansou de
falar. Lula e Dilma estão de mal com você e não vão perdoar. Mas o eleitor não
poderia arranjar outra igual para embaralhar o jogo sonolento da sucessão em
2014. Pelo menos num dos turnos, vamos discutir princípios e fins. E
principalmente os meios.
A abertura desta coluna
é um plágio. De mim mesma. Só o ano foi trocado no parágrafo: de 2010 para
2014. Assim abri, há quatro anos, um artigo em ÉPOCA. Parece atual.
Não
interessa em quem o povo brasileiro – obrigado por uma lei antidemocrática a ir
às urnas – votará para presidente. Se a ideologia influencia pouco a escolha e
se ninguém mais sabe o que é esquerda e direita, porque todos comem caviar,
viram censores e bebem uísque quando estão ricos, famosos e no poder, a guerra
verdadeira envolve propaganda, benesses e mentiras cínicas. O voto é decidido
por emprego e inflação, educação e saúde, mas também por simpatia, esmola,
promessas e demagogia. O bolso e as bolsas fazem uma diferença absurda no Brasil
profundo.
Por que falar bem de
Marina? Não tenho religião, não simpatizo com os evangélicos e lamento a minha
generalização – elas costumam ser injustas. O pastor deputado Marco Feliciano,
agora ansioso para expulsar gays de cultos, porque só pensa naquilo, não ajuda
os evangélicos a construir imagem de tolerância. Não significa que todos os
evangélicos rezem pela mesma cartilha fanática. É um erro definir alguém por
sua crença ou ausência de fé.
Por que falar de Marina
se ela não passa, no momento, de uma provável vice de Eduardo Campos, do PSB?
Primeiro, por causa de sua biografia. Biografia virou, nessas últimas semanas,
uma palavra incendiária por causa da Jovem Velha Guarda Tropicalista (JVGT),
guardiã da privacidade de artistas que expõem sua vida pessoal na capa de
revistas de celebridades. Sorrisos, filhos, casas, férias, tudo fotoshopado,
autorizado, compartilhado.
No caso de Marina, a
biografia conta muito, no mínimo para que seja respeitada como pessoa, no
pântano de nossa politicagem. Maria Osmarina da Silva Vaz de Lima nasceu no
Acre, filha de seringueiros migrantes cearenses. Analfabeta até os 16 anos,
aprendeu a ler enquanto trabalhava como empregada doméstica. Pelo Mobral, fez
em quatro anos o primeiro e o segundo graus. Marina contraiu cinco malárias,
duas hepatites. Formou-se em história. Queria ser freira. Virou marxista. Tem
quatro filhos. Foi a mais jovem senadora do Brasil, aos 35 anos. Marina já
enfrentou madeireiros, fazendeiros, cangaceiros. Lula a nomeou ministra do Meio
Ambiente. Saiu derrotada e desgastada cinco anos depois, em briga com a mãe do
PAC, a então ministra Dilma Rousseff.
Por que mesmo falar de
Marina, se ela não tem nenhuma chance contra a outra mulher? Quando Marina
se mandou para o PV, Dilma disse: “Estou triste. Preferia que ela continuasse
no PT, porque é uma grande lutadora”. Na queda de braço entre as duas, a
corpulenta Dilma de vermelho ganha fácil da magra Marina de preto.
Em Dilma, as rugas
quase sumiram, o cabelo ficou moderno e repicado, o sorriso substituiu a
expressão severa, o dedo em riste foi trocado pelo coraçãozinho com as mãos. É
a cirurgia da personalidade, o bisturi dos marqueteiros. Marina mantém o coque,
as rugas e aquelas palavras intragáveis que ninguém entende.“Programática” é
um adjetivo que ela deveria jogar no lixo sem reciclar – com o vocabulário
pernóstico que a distancia do eleitor.
Marina é melhor quando
esquece que precisa mostrar instrução e recorre a frases simples de efeito.
Dilma a mandou “estudar” para ter propostas sobre o Brasil. Marina respondeu:
“Ela (Dilma) deu um conselho de professora. (...) Aprender é
sempre uma coisa muito boa. Difíceis são aqueles que acham que não têm mais o
que aprender”.
Por que falar de
Marina, que nem conseguiu pendurar sua Rede no barco da sucessão? Porque a presença
de Marina, junto aos olhos verdes de Eduardo Campos, é um fato novo, como há
quatro anos. Move as camadas da terra, provoca tremores, obriga as velhas
raposas a sair da toca.
É cômico ver Dilma
discursando agora sobre a questão ambiental. Mandando beijos e acenos para
pequenos agricultores, quilombolas, pescadores, jovens e indígenas, prometendo
quintuplicar os produtores de alimentos orgânicos, sem agrotóxicos. E
defendendo assentamentos agrários. Seu mentor, Lula, encampa o outro lado:
atrai os ruralistas, enxotados por Marina.
Por isso são
importantes as biografias não autorizadas. Elas resgatam as contradições, as
incoerências, as mentiras históricas, repetidas tantas vezes que acabam virando
verdade. No fundo, só servem a um projeto de poder.
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