Em um mundo de tantas lutas, o que mais me chama atenção é o luto. Não há um dia em que ao assistir o noticiário não tenha as informações sobre a morte trágica de alguém. A semana mal começou e destaco: “Homem mata casal durante batizado do filho em igreja na Grande São Paulo” e “Professor bateu na mulher e se jogou com filho do 13º andar”. Famílias em luto, não somente elas, mas, sociedade em luto e ouso a pensar humanidade em luto.
Costumo a dizer que o ser humano está cada vez mais desprezível. Somente pela a misericórdia de Deus para não sermos consumidos (ref. Lamentações 3:22). As situações podem parecer corriqueiras, mas outro dia fui a Toillet no shopping e tinha uma placa com alguns avisos: Jogue papel no lixo, de descarga, não urine fora do vaso sanitário. Pessoas, em que mundo a gente está vivendo, para ter lembretes como esse? Ah, esqueci! Em uma humanidade morta, ou melhor, seres humanos com conceitos, princípios e educação mortos, de uma humanidade em luto.
Vivemos lutando para conquistamos algo, pois o sistema nos oprimi; temos que ser os melhores no mercado de trabalho; temos que trabalhar e lutar ininterruptamente para conseguimos dar ensinos e saúde aos nossos filhos. Luta, luta, luta para um capitalismo doentio que nos mata como humanos. Humanidade no conceito filosófico de sermos benevolentes e não um conjunto de homens que se matam e nos matam todos os dias em que deparamos com essas notícias.
Tamanha loucura chegou ao homem. Da criação os únicos semelhantes ao Criador, jogamos fora a nossa humanidade e nos tornamos animais vivendo na selva chamada sistema. Provocando lutos e vivendo lutos do nosso infinito ser desumano. Estou em luto por esse filho que viu sua mãe ser morta pelo seu próprio pai; em luto por essa mãe que perdeu seu filho, na idade do meu filho, e seu marido por insanidade de se jogar com a criança do 13º andar. Estou em luto, por essa humanidade que precisa de lembretes no banheiro e ser multada para jogar o lixo no seu devido lugar. Em luto por uma sociedade novamente humanizada.
Não poderia terminar sem compartilhar o texto do teólogo Ricardo Gondim, abaixo replicado e o cometário do jornalista Joseval Peixoto, link disponibilizado, http://www.sbt.com.br/ jornalismo/noticias/39344/ Joseval-fala-sobre-homem-que- se-jogou-de-predio-com-filho- no-colo.html#.UwQlnZcwwRV. gmail. Que sirvam para a nossa reflexão e reformulação de humanidade.
Gratia et pax,
Rebeca Caroline
Luto por outro mundo possível
Ricardo Gondim
A vida se torna cada vez mais exigente.
Estamos todos sob o crescente imperativo de nos mantermos probos.
Austeridade e gravidade viraram palavras de ordem.
Estamos todos sob o crescente imperativo de nos mantermos probos.
Austeridade e gravidade viraram palavras de ordem.
Ninguém sabe como, mas prevalece a instrução de nunca perdermos a lógica.
Se precisamos brincar, não esquecer de mapear o riso antes.
Sob olhares sisudos, esboçar a silhueta lúcida do circunspeto.
Cobram que nos antecipemos aos desdobramentos de todas as nossas atitudes.
Alguns aconselham uma coragem tão radical, que beiram a arrogância.
Depois se contradizem com o aviso: que ninguém ouse riscar fora do quadradinho no caderno de aritmética.
Se precisamos brincar, não esquecer de mapear o riso antes.
Sob olhares sisudos, esboçar a silhueta lúcida do circunspeto.
Cobram que nos antecipemos aos desdobramentos de todas as nossas atitudes.
Alguns aconselham uma coragem tão radical, que beiram a arrogância.
Depois se contradizem com o aviso: que ninguém ouse riscar fora do quadradinho no caderno de aritmética.
No estreito beco por onde se espremem os imutáveis, não se ri.
Na catedral sombria dos dogmáticos, não se poetiza.
Os mestres da verdade se consideram capazes de parar o sol no meridiano – sem derramarem uma lágrima por uma criança que sofre.
Na catedral sombria dos dogmáticos, não se poetiza.
Os mestres da verdade se consideram capazes de parar o sol no meridiano – sem derramarem uma lágrima por uma criança que sofre.
Vivemos em um mundo onde os impolutos são caçadores e os sensíveis, caça.
Os comandos são: eficiência, utilidade, otimização.
Na sociedade da eficácia, os que parecem improdutivos são condenados a viajar no último vagão.
Empreendedores detestam jardineiros – Desnecessários, dizem.
Arrojados odeiam contemplativos - Não passam de vagabundos, insistem.
Não há respeito por quem não transforma tempo em dinheiro.
No mundo da competição, afeto, só se houver vantagem.
Os comandos são: eficiência, utilidade, otimização.
Na sociedade da eficácia, os que parecem improdutivos são condenados a viajar no último vagão.
Empreendedores detestam jardineiros – Desnecessários, dizem.
Arrojados odeiam contemplativos - Não passam de vagabundos, insistem.
Não há respeito por quem não transforma tempo em dinheiro.
No mundo da competição, afeto, só se houver vantagem.
Acredito em outro mundo possível.
Luto pela chegada de um tempo em que não se tratará fragilidade como deficiência.
E nem o reconhecimento da precariedade da vida como fraqueza.
Luto pela chegada de um tempo em que não se tratará fragilidade como deficiência.
E nem o reconhecimento da precariedade da vida como fraqueza.
Me esforço por uma realidade alternativa.
Desejo ver os tribunais julgando a miséria como insulto, a guerra como anacronismo e o trabalho infantilcomo maldição.
Anelo por igrejas inclusivas e não discriminatórias.
Sei da fragilidade de minhas expectativas.
Desejo ver os tribunais julgando a miséria como insulto, a guerra como anacronismo e o trabalho infantilcomo maldição.
Anelo por igrejas inclusivas e não discriminatórias.
Sei da fragilidade de minhas expectativas.
Sustento minha esperança no tênue filamento que homens e mulheres de boa vontade seguraram antes de mim.
Meu idealismo resiste.
Meu idealismo resiste.
Apesar de reconhecer que sou mera gota que o tempo transformará em vapor, vivo por um mundo mais solidário, menos hermético e mais livre.
Desejo espalhar o que restou da Imago Dei em mim.
Desejo espalhar o que restou da Imago Dei em mim.
Assim me transformo, na resoluta decisão de impedir que a vida se esvaia pelas trincas do descaso ou seja esmagada sob o jugo do autoritarismo.
Soli Deo Gloria