EDUCAÇÃO CRISTÃ: FÉ OU CRENÇA?
A IMPORTÂNCIA DE EDUCAR E NÃO DE DOGMATIZAR
“A fé é muito melhor do que a crença. A crença é quando alguém pensa por você”. (Richard Buckmisnter Fuller) [1]
Infelizmente a educação cristã dentro de nossas organizações eclesiásticas nunca foi bem sucedida – ousamos assim dizer –, ou seja, em muitos momentos não há clareza de definição, e quando há, não é colocada em prática de uma forma correta. Muitas organizações entendem que a educação cristã ocorre no momento da Escola Bíblica, mas, se educar é um processo em que o aprendiz se desenvolve, como dizer que impor crença e doutrina é fazer uma educação cristã?
Para melhor compreendemos tal âmbito abordado é necessário fazer dois apontamentos:
1) Definição – Educação é um processo que envolve a formação integral do ser humano, ou seja, o desenvolvimento de sua personalidade, de seus sentimentos, suas percepções e seus relacionamentos. Transferindo para o âmbito cristão, a educação cristã, desenvolve a vida espiritual e o conhecimento eclesiástico (Deus e Escritura).
1) Definição – Educação é um processo que envolve a formação integral do ser humano, ou seja, o desenvolvimento de sua personalidade, de seus sentimentos, suas percepções e seus relacionamentos. Transferindo para o âmbito cristão, a educação cristã, desenvolve a vida espiritual e o conhecimento eclesiástico (Deus e Escritura).
“A educação é um processo amplo e contínuo do ser humano, que envolve não só a formação do aspecto cognitivo, mas de todo o ser, e compreende o desenvolvimento da personalidade, sentimentos, percepções e relacionamentos. Esse processo visa não só o crescimento individual, mas também coletivo, a fim de que o indivíduo possa interagir, relacionar-se e participar socialmente, em benefício da comunidade a que pertence. Apropriando-nos desta definição de educação, podemos afirmar que a educação cristã, por sua vez, tem como objetivos proporcionar o desenvolvimento do indivíduo como um todo e lhe oferecer condições de crescer em sua vida espiritual, no conhecimento de Deus e das Escrituras. Esse crescimento leva em conta o ser humano em seus aspectos físicos, emocionais, espirituais e sociais. Nosso exemplo maior de desenvolvimento integral é o próprio Jesus, pois a bíblia nos relata que ele “[...] crescia em sabedoria, em estatura e em graça diante de Deus e dos homens” (Lc. 2.52).” [2]
2) Objetivo – A educação cristã tem por fim seu objetivo, ou melhor, sua missão cumprir a ordenança de nosso mestre Jesus: “Portanto, ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo; ensinado-lhes a obedecer a todas as coisas que vos ordenei; e eu estou convosco todos os dias, até o final dos tempos.” (Mt. 28.19-20).
“Fazer discípulos, ensinando-lhes a obedecer aos mandamentos, foi uma ordem deixada por Jesus a seus discípulos. Portanto, a igreja que representa a reunião e união dos salvos, é apontada como a responsável pela a propagação do evangelho de Jesus Cristo, em cumprimento a essa ordem. A educação cristã, por sua vez, tem ajudado a promover através dos séculos o crescimento espiritual dos salvos em Cristo. Sendo assim, seu alvo central está em coordenar, organizar, treinar e promover o desenvolvimento da vida espiritual dos que foram salvos pela propagação do evangelho.” [3]
Após termos feito tais considerações acima desenvolveremos nossa reflexão. Se a educação cristã desenvolve a vida espiritual e o conhecimento eclesiástico e tem a finalidade de cumprir a ordenança de Jesus, por que ousamos a dizer no princípio de nosso artigo que quando há a prática da educação cristã em nossas organizações eclesiásticas, ela ocorre de modo falho?
Bem, ocorre de modo falho, pois, enquanto cristãos perdemos o nosso foco. Como assim? Explicaremos: Ao longo da história da Igreja, o foco é perdido, quando dogmatizamos nossa fé (fé no sentido amplo da experiência individual), obtendo assim, a crença (crença no sentido reduzido ao sistema, doutrina, sistematização) e, de forma muita das vezes bruta impomos o nosso pensamento. Isso ocorre devido a nossa herança européia, ou seja, quando a Europa se desenvolve e passa a colonizar inúmeros territórios o ato de divulgar a religião não é mais em cima a ordenança do Mestre – ide e fazei discípulos –, mas, em cima da política e da autoridade. Sendo assim, em muitos territórios colonizados ser cristão significava se comportar como um autêntico europeu.
Apesar da independência política conquistada pelos territórios dominados o campo da crença não teve tal libertação. Os dogmas ficaram, e até hoje, continuamos a impô-los. Atualmente, o problema da educação cristã consiste em vez de educar fazendo com que o aprendiz desenvolva a sua fé, forçamos uma crença pré-estabelecida empurrando-a “garganta abaixo” aos nossos aprendizes.
Somos engolidos pelo o sistema. As instituições religiosas nos manipulam para que não haja a perda de autoridade – assim como os europeus colonizadores – e como queremos continuar fazendo parte do ditador sistema que dogmatiza e não educa, não damos a “cara a tapa”, sendo assim, convenientes com tal opressão. A nossa neutralidade não traz eficácia a educação cristã. O que temos que levar em consideração é que: “se posicionar é diferente de impor” [4]. Há necessidade de construir uma educação cristã personalizada conforme cada contexto.
Até quando a educação cristã pensará pelos “leigos”, ao invés de somente apontar caminhos e deixar que o aprendiz com suas próprias pernas siga o caminho que ele mesmo escolheu? Foi assim que o nosso mestre Jesus fez com o jovem rico. “Certa vez um homem chegou perto de Jesus e perguntou: – Mestre, o que devo fazer de bom para conseguir a vida eterna? Jesus respondeu: – Por que é que você está me perguntando a respeito do que é bom? Bom só existe um. Se você quer entrar na vida eterna, guarde os mandamentos. Que mandamentos? – perguntou ele. Jesus respondeu: “Não mate, não cometa adultério, não roube, não dê falso testemunho contra ninguém, respeite o seu pai e a sua mãe e ame os outros como você ama a você mesmo.” – Eu tenho obedecido a todos esses mandamentos! – respondeu o moço. – O que mais me falta fazer? Jesus respondeu: – Se você quer ser perfeito, vá, venda tudo o que tem, e dê o dinheiro aos pobres, e assim você terá riquezas no céu. Depois venha e me siga. Quando o moço ouviu isso, foi embora triste, pois era muito rico.” (Mt.19.16-22).
Jesus não impôs nada aquele jovem, simplesmente, apontou a ele o caminho de uma forma que o jovem refletisse e escolhesse. O jovem assim teve opção, fez sua escolha e Jesus a respeitou. O Mestre poderia ter persuadido aquele jovem rico impondo a ele a sua crença, mas, com a sua exemplar pedagogia deixou que aquele jovem seguisse seu coração onde carregava um amor maior pelas riquezas materiais do que pelo o rico Reino de Deus. Jesus e sua pedagogia são os exemplos em que à educação cristã poderia focar-se. Porém, a independência, a autoridade e a manipulação das instituições religiosas dentro do sistema não a permite recolocação de sua ótica.
Richard Fuller tem razão: “A fé é muito melhor do que a crença. A crença é quando alguém pensa por você”. A educação cristã não é o setor das igrejas que pensa para os “leigos”, mas, deve ser o setor que faz o aprendiz a desenvolver a sua fé.
Está na hora da educação cristã sair do B com A faz BA. Está na hora de parar de dizer que “Pedro viu a uva”, mas, ampliar o conhecimento cristão. Assim como Paulo Freire ampliou o conhecimento dele e daqueles alunos que ele alfabetizou com o seu método conscientizador. Está na hora de libertar nossa pedagogia. Está na hora de obter aprendizagem significativa. “[...] É uma aprendizagem penetrante, que não se limita a um aumento de conhecimentos, mas que penetra profundamente todas as parcelas da sua existência.” [5]
A educação cristã precisa dar uma basta nas lutas de classes. Chega de intelectuais versus leigos; de dirigentes versus dirigidos. Também, basta as respostas pré-estabelecidas que não fazem nenhuma relação com a realidade existencial do indivíduo, pois, “como você pode ver, não são as respostas que movem o mundo, são as perguntas.” [6]
E, apropriando-nos desse conceito, perguntamos então a educação cristã: Até quando ela ficará inerte dando respostas dogmatizadas, ao invés de se mover, avançar, ampliar, educar?
Gratia et pax,
Rebeca Caroline
Rebeca Caroline
[1] Disponível em: http://www.ronaud.com/frases-pensamentos-citacoes-sobre/educacao, acessado em 17/11/2009.
[2] MOLOCHENCO, Madalena de Oliveira. Curso vida nova de teologia básica: educação cristã. São Paulo. Nova Vida, 2007. Pg. 16.
[3] Idem 2. Pg. 27.
[4] Citação da professora Olga Nogueira na aula de Pedagogia da Educação Cristã na Faculdade Teológica Evangélica do Rio de Janeiro - FATERJ em 19/11/2009.
[5] ROGERS, Carl. In Tornar-se Pessoa, 1988, editora Martins Fontes.
[6] Campanha Publicitária do Canal Futura.
Graça e Paz minha irmã!!!
ResponderExcluirSuas colocações foram pontuais. A questão da educação cristã precisa ser revista periodicamente. Estamos em pleno Século XXI. Não podemos mais aceitar “respostas prontas”, que são formuladas por pessoas que não são abertas ao diálogo ou que não conhecem a realidade local. Posto aqui “diálogo”, pois o educador cristão precisa não somente conhecer o tema abordado, como também necessita saber a realidade do aprendiz. Como já dizia o Ms. Alessandro Rocha em suas grandiosas aulas, que o teólogo (adiciono aqui: Educador Cristão) “precisa ser um mistagogo. O pedagogo aponta o caminho do aprendizado e o mistagogo aponta para o mistério”.
Nós vivemos em um país grande e multicultural, certo? Quero deixar um exemplo de “engessamento”, que dificulta o aprendizado. Digamos que uma lição de EBD é criada por uma pessoa de São Paulo, um senhor experiente na vida e na Palavra, de classe social “A”. Qual a possibilidade dessa lição atingir seus objetivos em uma vila de ribeirinhos no Amazonas?
Temos que parar de aceitar tudo aquilo que nos é imposto por “grandes associações” que não traga nenhum benefício educacional/espiritual. Igualmente, não podemos empurrar os dogmas “de goela a baixo” dizendo que este é o Evangelho do Senhor.
Como educadores, precisamos criar caminhos que facilitem o conhecimento da Palavra, mesmo que esses meios não sejam muito convenientes.
Precisamos pensar fora da caixa!
Thiago Beltrão